sexta-feira, 1 de junho de 2012

Unipolaridade x multipolaridade

   Com a expansão do capitalismo para os países socialistas, em um primeiro momento, surgiu a tese de uma ordem unipolar, com os EUA assumindo a hegemonia mundial.
   Dos fatores que sustentam essa ordem, há alguns que foram representativos em períodos anteriores, mas podem ainda revelar a dominação, e outros que afloraram mais contemporaneamente: a absoluta superioridade bélica estadunidense; seu poder econômico, que concentra cerca de um quarto das riquezas mundiais; a influência global de sua moeda, o dólar; a propagação de sua cultura e seu modo de vida (em filmes, roupas, na língua, na alimentação); e seu papel central na economia capitalista.
   A outra tese é a da multipolaridade. Os autores que defendem essa ordem multipolar afirmam que o poder se apresenta desconcentrado, mesmo que os EUA sejam considerados uma grande potência.
   Do ponto de vista geopolítico teriam papel decisivo nessa ordem, por exemplo, os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, instituição que engloba EUA, China, França, Reino Unido e Rússia, com possibilidades de ampliação.
   No âmbito econômico, a multipolaridade pode ser exemplificada com o grupo dos Oito (G-8), que inclui EUA, Alemanha, Japão, França, Reino Unido, Canadá, Itália e Rússia. Esse grupo deverá ser ampliado para G-20, com o ingresso nos países emergentes como a China, Índia, Brasil, México, entre outros.
   Outro exemplo da multipolaridade é a constituição de blocos regionais, que surgiram em decorrência de reformas econômicas impulsionadas pelo processo de globalização, pelo desenvolvimento das comunicações e pela ampliação das trocas comerciais. O objetivo desses blocos era e continua sendo facilitar o comércio entre os países membros.
  
fonte: Livro- Geografia: a construção do mundo/ Demétrio Magnoli e Regina Araujo.

A ordem geopolítica Mundial:

     A ordem geopolítica Mundial pode ser entendida como  uma forma explicativa utilizada para melhor se compreender as transformações socioeconômicas e geopolíticas que ocorrem no mundo. Corresponde, por tanto, às relações de poder entre os países, à correlação de forças entre eles no plano mundial. Essa ordem define qual é ou quais são as grandes potências e suas áreas de influencia em determinado momento histórico, quais são as disputas ou conflitos que ocorrem nos âmbitos político, militar, ideológico, econômico, entre outros.

 A velha ordem Mundial:
   A velha ordem Mundial foi marcada pela oposição entre Estados Unidos e União Soviética, em um período conhecido como Guerra Fria.
   A guerra fria começou a se desenhar após a Segunda Guerra Mundial. Mais precisamente durante a Conferência de Potsdam, realizada em julho de 1945, quando em quatro zonas de ocupação, controladas, de leste a oeste, respectivamente, por União Soviética, Inglaterra, Estados Unidos e França. A capital alemã, Berlim, também foi ocupada, fincando dividida entre os russos a leste, e franceses, ingleses e americanos a oeste.
   A partir de então, a bipolaridade que marcou o cenário geopolítico internacional no pós-guerra já estava configurada. Isto porque as duas grandes potências vencedoras - a capitalista, representada pelos Estados Unidos, e a socialista, representada pela União Soviética - tinham projetos antagônicos, não só a Alemanha como também para toda a Europa.
   O antagonismo ficou claramente expresso a partir de 1947, quando o presidente americano Harry Turman declarou a expansionistas soviéticos no território europeu e, posteriormente, no território asiático.
   Devido ao importante papel da União Soviética na derrota do exército nazistas pelo front oriental, desde fevereiro de 1945 os soviéticos transformaram todo o leste europeu em uma grande área ocupada, alegando a necessidade de manter a segurança junto as suas fronteiras. Desde esse momento já estava estabelecida a chamada "cortina de ferro", com a divisão da Europa em duas regiões geopolíticas: a Europa Ocidental, sob a influência dos Estados Unidos, e a Europa Oriental, sob a influência da União Soviética.
   Para dar conta do Projeto de contenção da influência Soviética, os Estados Unidos financiaram a reconstrução e o fortalecimento econômico da Europa, através do Plano Marshal e dos países do Leste e Sudeste asiáticos, através do Plano Colombo. Instalaram um arsenal nuclear nos países da Europa Ocidental e envolveram-se em guerras localizadas, onde existia a oposição Capitalismo - Socialismo, como as guerras da Coréia (1950-1953) e do Vietnã (1930-1973).
   Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, essa velha ordem mundial começava a ruir. Construído em 1961, para consolidar a divisão da capital, evitando a fuga de alemães oriental para o lado capitalista, o muro foi o grande símbolo da bipolaridade, da disputa ideológica e militar entre os dois grandes vencedores da Segunda Guerra Mundial.

    Linha do tempo (Velha ordem Mundial):
 1945: Início da Guerra Fria (EUA- capitalista e URSS- socialista).
1946: Início da corrida armamentista (disputas não só por armas convencionais, mas também por armas químicas).
1949: OTAN: associação entre EUA, Canadá e os demais países capitalistas.
1950-1953: Guerra da Coréia: a do Sul, capitalista V.S. a do Norte socialista (influenciadas pelas potências EUA e URSS).
1955: Pacto de Varsóvia: aliança entre países socialistas do Leste. (criado em reação ao OTAN)
1957: A corrida espacial que começou com o lançamento do satélite soviético Sputnik.
1962: Construção do muro de Berlim símbolo da divisão alemã em capitalista (ocidental) e socialista (oriental).
1962:  A crise dos misséis: foi um clima de desconfiança dos norte-americanos devido a instalação de misséis soviéticos em território cubano.
1964-1975: Guerra do Vietnã: maior conflito armado ocorrido durante a guerra fria.
1980: União da China comunista com os EUA na disputa contra a URSS.
1989: Queda do muro de Berlim: marcou a reunificação alemã e para muitos o fim da Guerra Fria.
1991: Independência dos países bálticos, da Ucrânia e consequentemente  o fim da URSS e da Guerra Fria oficialmente.

Livro: Geografia geral e do Brasil - James e Mendes.

Globalização

   Inicialmente entende-se que a globalização não é um processo acabado, mas sim que está em andamento. No nosso dia a dia quase tudo que vemos ou utilizamos é resultado dela. A globalização é o período atual de desenvolvimento do capitalismo e suas consequências para a economia, a política, a cultura e os demais aspectos da vida em sociedade.
   As inovações tecnológicas, principalmente nas telecomunicações e na informática, promoveram o processo de globalização. A partir da rede de telecomunicação (telefonia fixa e móvel, internet, televisão, aparelho de fax, entre outros) foi possível a difusão de informações entre as empresas e instituições financeiras, ligando os mercados do mundo.
   O fenômeno da globalização não produziu os mesmos efeitos em todos os países e em todas as camadas sociais. A formação de grandes conglomerados econômicos, o aumento extraordinário do volume de capitais movimentados nas transações financeiras, a livre circulação de mercadorias entre os países e a revolução tecnológica não possibilitaram uma elevação na qualidade de vida da maior parte da população mundial, que inicia o século XXI convivendo com o desemprego, a pobreza e a fome.



A globalização no dia-a-dia:
   Parece absurdo pensar nisso, mas a temperatura de seu corpo, nesse exato momento, é preservada por uma roupa produzida graças ao trabalho de milhares de pessoas em várias partes do mundo.
   por qualquer ângulo que se olhe, percebemos que cada indivíduo vive hoje numa sociedade mundial. As pessoas se alimentam, se vestem, moram, são transportadas , se comunicam, se divertem, por meio de bens e serviços mundiais, utilizando mercadorias produzidas pelo capitalismo mundial, globalizado.
   Suponhamos que você vá com seus amigos comer um cheeseburger e tomar Coca-Cola no McDonald's. Em seguida, assista a um filme de Steven Spielber e volte para casa num carro Ford ou num ônibus Mercedes. Ao chegar, o telefone toca. Você atende num aparelho fabricado pela Siemmens e ouve um amigo lembrando-o de um videoclipe que começou há instantes na televisão: Michael Jackson em seu último lançamento. Você corre e liga o aparelho da marca Mitsubishi. Ao terminar o clipe, decide ouvir um CD do grupo Simply Red gravado pela BMG Ariola Discos, de propriedade da Warner, em seu equipamento Philips.
  Veja quantas empresas transnacionais estiveram presentes nesse curto programa de algumas horas. Na verdade, não há atividades que escapem dos efeitos da globalização do capitalismo. Nem mesmo os esportes. Nem a seleção canarinho dispensa o patrocínio da Coca-Cola, símbolo estridente do processo de globalização do capital.
  A influência política da globalização chega ao ponto de entidades de direitos humanos dos Estados Unidos tomarem conhecimento da chacina de meninos de rua, ocorrida em 1993 em frente à igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, antes mesmo do próprio governo brasileiro.